Procura pela Residência Médica tem Desequilíbrio Entre Especialidades
As provas de residência médica aplicadas neste fim de semana em São Paulo revelaram um cenário preocupante. Algumas especialidades da medicina tiveram procura baixíssima e, para outras, faltaram vagas para tantos candidatos.
Todo médico pode trabalhar logo que sai da faculdade, mas para exercer qualquer especialidade, como cardiologia ou ginecologia, por exemplo, o recém-formado precisa assumir uma vaga em um hospital, como residente, para aprender com profissionais experientes. A residência dura de dois a cinco anos, dependendo da área. Para conquistar uma vaga é preciso fazer prova.
O problema é que a procura não é a mesma para todas as especialidades. Em algumas, o médico precisa apenas mostrar um mínimo de conhecimento, porque não tem disputa. Mas, em outras, a quantidade de candidatos é muito maior do que a de vagas. Neste caso, a residência vira um novo vestibular.
"Depois que você venceu a etapa do vestibular de medicina, que é um dos mais concorridos, você ainda tem que ficar entre os tops dos tops. É uma coisa bem difícil”, diz Diana Fernandes, que quer residência para anestesiologia.
Neste fim de semana teve no concurso na Universidade de São Paulo (USP). A especialidade mais procurada foi dermatologia: 16 candidatos por vaga. Para oftalmologia foram mais de 14, praticamente o mesmo número de neurocirurgia.
Na escola paulista de medicina, da Unifesp, dermatologia também foi a mais procurada. Em seguida, vieram cirurgia geral e neurocirurgia.
O excesso de procura em algumas áreas não é só coincidência de vocação. “Também há o lado do mercado. Aquilo que vai permitir que eles tenham um ressarcimento pelo trabalho que fazem”, afirma Gilmar Fernandes do Prado, coordenador da comissão de residência médica da Unifesp
A residência menos procurada na USP é a infectologia e na Unifesp, medicina do tráfego. O desequilíbrio na escolha, que acontece em todo o país, é considerado ruim para a medicina.
“A gente sabe que em certas especialidades a procura pela residência medica é muito pequena e consequentemente menos especialistas nós teremos no futuro. Isso é uma realidade”, diz Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.
Fonte: G1
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