Médicos não Conseguem se Especializar no Estado
O número de doadores de órgãos ainda é baixo, mas o crescente aumento de transplantes indica um futuro promissor para quem depende de uma doação para continuar vivendo. Ontem foi comemorado o Dia Nacional do Doador de Órgão e, embora haja uma elevação no número de transplantes, o momento é de trabalho, informação e conscientização para que mais pessoas venham a doar.
De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), neste primeiro semestre de 2011, pode-se observar um crescimento na taxa de doadores efetivos com órgãos transplantados. Embora tenha havido uma leve diminuição na taxa de potenciais doadores notificados (2,2%), a taxa de doadores efetivos com órgãos transplantados cresceu 6,7%, tendo passado de 9,6 por um milhão de pessoas (pmp) para 10,3 pmp, em decorrência da melhor taxa de efetivação da doação (29,2%).
Nos dados analisados no primeiro semestre deste ano, em transplante renal destacaram-se São Paulo (49,1 pmp), Rio Grande do Sul (42,6 pmp) e Santa Catarina (40,3 pmp), com mais de 40 transplantes por um milhão de pessoas e mais do que 30 transplantes com doador falecido pmp. No transplante renal com doador vivo, apenas Paraná (20,1 pmp) e São Paulo (15,6 pmp) mantêm-se com mais do que 15 transplantes pmp.
Para o médico Leonardo Kroth, coordenador da Organização de Procura de Órgãos (OPO2), dividida em todo Estado em seis regiões, o grande desafio de campanhas para mobilização de novos doadores de órgãos é o diálogo com a família e deixar bem claro o desejo de se tornar doador. "Não é necessário deixar nada por escrito, mas os familiares devem se comprometer a autorizar a doação por escrito após a morte", explica Kroth. Ele lembra ainda que a doação de órgãos é um ato pelo qual a pessoa manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte encefálica, uma ou mais partes do corpo (órgãos e/ou tecidos), em condições de serem aproveitadas, possam ajudar outras pessoas.
Kroth diz que são três os grandes desafios para aumentar o número de doadores. O primeiro é elevar o número de diagnósticos, ou seja, identificar possíveis doadores. O segundo é a manutenção e o acompanhamento do doador, e o terceiro é a logística de retirada do órgão. "Superado esses três processos, o transplante se torna mais fácil de ser realizado", lembra o médico.
Criadas em outubro de 2010, mas com o início das operações no mês passado, as OPOs estão realizando um trabalho de informação e formatação das equipes dentro dos hospitais. "A OPO é uma equipe médica responsável pela vigilância dos casos de morte encefálica nas UTIs dos hospitais. Atualmente existem três OPOs na Região Metropolitana, uma em Passo Fundo, uma em Santa Cruz e uma em Rio Grande", informa Kroth. O desejo dos coordenadores é aumentar o número de hospitais vinculados à organização.
Questionado se a estrutura dos centros médicos do Estado possuem condições de trabalhar com transplantes, o médico diz que há estrutura, que existe mercado e que os profissionais já estão sobrecarregados. No entanto, um ponto negativo sobre a capacitação dos profissionais em transplantes, segundo Kroth, é a carência de especialização na área no Rio Grande do Sul. "Um profissional que deseja se especializar em transplantes tem que procurar um curso em São Paulo. Nem mesmo nas faculdades ou em cursos de residência existe uma disciplina que aborde o tema do transplante", lamenta Kroth.
A enfermeira Jaqueline Pacheco, da área de transplantes do Hospital São Lucas da Pucrs, destaca o efetivo aumento na realização de transplantes de rins ocorridos em 2011 no comparativo com o ano passado. "Até o dia 26 de setembro foram realizadas 67 procedimentos aqui no hospital. Em todo o ano passado, foram 56", informa Jaqueline. Ela reforça ainda que a partir do trabalho de informação e conscientização que é realizado pelas OPOs, a tendência é de que esse número cresça ano a ano.
Fonte: Jornal do Comércio
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