Hospitais são Sala de Aula a 2,5 mil Estudantes em Bauru


Mais do que um espaço para tratamento de doentes, os hospitais públicos de Bauru também são um importante campo de ensino e formação de mão de obra na área de saúde. Juntas, quatro unidades de saúde da cidade serviram como “sala de aula” para 2,5 mil estudantes no primeiro semestre deste ano, numa iniciativa que beneficia não somente os alunos, mas também as próprias instituições e pacientes.



Apenas o Hospital de Base (HB) e a Maternidade Santa Isabel estabelecem parceria com 1.718 graduandos e pós-graduandos. Já no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP), o Centrinho, são mais de 300. No Hospital Estadual (HE), há ainda outros 526 alunos. Com maior ou menor estrutura, todos são hospitais de fomento ao ensino e pesquisa, por onde passam estudantes de mestrado, doutorado, especializações, residência médica e estágio.



Credenciadas como unidades de ensino, elas usufruem de contratos de convênio diferenciados junto ao Ministério da Saúde e Secretaria de Estado da Saúde. “Além de contarmos com um orçamento extra para ser aplicado em ensino e pesquisa, os alunos, sempre supervisionados, possibilitam um aumento do número de atendimentos sem perda de qualidade”, garante João Henrique Nogueira Pinto, diretor administrativo do Centrinho, lembrando que a maioria dos estudantes são graduados e, portanto, já profissionais da área de saúde, como médicos, dentistas, fonoaudiólogos, psicólogos, biólogos e assistentes sociais.



Além desta vantagem para pacientes e hospitais, que conseguem engrossar seu corpo de “funcionários” sem ampliar gastos com folha de pagamento, o aluno também é beneficiado porque tem a oportunidade de aplicar, na prática, os conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula. A dentista Letícia Arantes de Moraes, 24 anos, por exemplo, estuda no Centrinho. Ela conta que, no ano passado, veio de Goiânia (GO) para fazer especialização em prótese justamente pela qualidade do curso, que exige dedicação exclusiva.



Já há um ano e meio em Bauru, ela aponta ainda a vantagem de poder aprender, com outros profissionais, a tratar pacientes dentro da filosofia humanizada adotada pela instituição. “Além disso, num hospital como Centrinho, a gente aprende a atender casos complexos envolvendo anomalias, o que nos deixa mais preparados para lidar com pacientes que tenham problemas mais simples”, comenta.



O Centrinho começou a ofertar vagas para estudantes no início da década de 1980 e, hoje, recebe alunos de todo o Brasil e até de fora do país. “Quando estes profissionais voltam a suas cidades de origem, acabam levando o conhecimento adquirido no Centrinho. E essa expansão do trabalho realizado em Bauru para todo o País também é nosso objetivo”, frisa Pinto.






Autonomia




Já a Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que administra o HB e a maternidade, só buscou em 2009 o credenciamento das unidades como hospitais-ensino, embora já oferecesse vagas de estágio há muito mais tempo. Além de estágios e especializações para cursos técnicos e de graduação, oferece residência médica em cirurgia bucomaxilo e oftalmologia.



“Todo o atendimento prestado pelos alunos é feito sob supervisão de professores. Os residentes, por já serem médicos formados, já possuem maior autonomia, o que ajuda bastante o corpo de funcionários nos procedimentos”, aponta Aparecido Donizeti Agostinho, presidente do conselho técnico de intervenção da AHB, que não soube informar se o HB manterá seu caráter de ensino quando passar a ser administrado pela Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp).



Gerido pelo mesmo órgão, o HE funciona desde 2006 como hospital-ensino. Atualmente, apenas médicos formados na Faculdade de Medicina de Botucatu podem fazer residência no HE, que também recebe alunos de internato da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e estagiários de várias instituições públicas e privadas de Bauru e região.



“Estabelecemos muitos convênios e vemos que, quanto mais investimos em ensino e pesquisa, melhor é a qualidade da assistência prestada pelos profissionais de saúde. Não há desvantagens em ter estes estudantes conosco”, observa a supervisora do Centro de Estudos e Pesquisas do HE, Rosilene Cordeiro.



Uma das alunas é Mariana Ferreira Borges, 26 anos, estagiária em clínica médica e cirurgia geral no hospital. Ela cumprirá três meses de internato, iniciado em agosto, por exigência da faculdade de medicina que cursa na UFSCar. De segunda-feira a sexta-feira, sua tarefa é acompanhar pacientes mantidos na enfermaria, cirurgias e atendimentos ambulatoriais.



“Por proporcionar o contato direto com a rotina da profissão, o estágio é fundamental para que o aluno possa decidir sobre qual especialidade seguir depois de formado. Eu por exemplo, já me decidi: vou trabalhar em cirurgia geral”, aponta.

 

 

Fonte: JCNET

 

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