MEC vistoria programas de residência médica no estado da Paraíba
A professora Maria do Patrocínio, secretária executiva da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), esteve visitando as instalações do Hospital Universitário Lauro Wanderley nesta sexta-feira (13). O objetivo é avaliar os programas de residência médica existentes na Paraíba, para diagnosticar fragilidades e sugerir melhorias.
Durante palestra para preceptores, residentes, médicos e corpo técnico do HU, a professora, que é ligada à Universidade de São Paulo (USP), apresentou um quadro nacional da residência médica, apontando desafios comuns a diferentes realidades sociais. “Nosso papel é de avaliar cada realidade em busca da excelência no ensino. Mas é preciso compreender que a residência médica é uma política de saúde, não pode ser resolvida apenas por um indivíduo”, ponderou.
A vistoria tem como objetivo observar as condições de infra-estrutura, de recursos humanos e os modelos pedagógicos adotados pelos programas de residência. Além da visita in loco às instalações, a médica pretende conversar com cada grupo envolvido. “Nosso melhor termômetro sempre é a conversa com os residentes. Pois eles podem explicar melhor quais as dificuldades enfrentadas. Isso porque os profissionais ainda são muito presos a uma visão de que avaliação é castigo. Na verdade, eles precisam enxergar as comissões, tanto nacional quanto estadual, como parceiros e não como algozes”, esclarece.
Na agenda da secretária executiva do CNRM, está ainda uma audiência com o secretário estadual de saúde, na tarde desta sexta (13).
Seleção
De acordo com Patrocínio, a função do CNRM é regular, supervisionar e avaliar os programas de residência médica. Essa atribuição tem permitido uma visão crítica sobre a formação acadêmica na área. “Assim como o ensino fundamental e o médio são vistos apenas como pré-requisitos para o vestibular, o curso de medicina tem se tornado um cursinho para a seleção da residência, o que é um erro”, defendeu.
A Comissão vem estudando uma proposta para mudar isso, que seria mudar a seleção para três provas, realizadas ao longo do curso.
Pró-Residência
A professora mostrou ainda como a valorização da residência é importante, pois tem relação direta com a fixação do especialista na região onde fez o curso. Pensando nisso, foi desenvolvido o Pró-Residência Médica, Programa Nacional de Apoio à Formação de Médicos Especialistas em Áreas Estratégicas, em parceria do MEC com o Ministério da Saúde.
O Pró-Residência identifica regiões com baixa oferta de vagas e carência de profissionais qualificados em serviços especializados e estimula a formação de médicos com o oferecimento de bolsas. As áreas médicas mais carentes de profissionais são: radiologia, psiquiatria, pediatria, neurologia, neurocirurgia, nefrologia, medicina intensiva, clínica médica, cardiologia e anestesiologia. Como prova do êxito, em sua primeira edição, 45% das vagas oferecidas pelo Pró-Residência foram preenchidas na região Nordeste.
O programa é elogiado pelo presidente da Comissão Estadual de Residência Médica, o professor Ricardo Maia. “Temos demandas enormes de profissionais. E uma boa qualificação passa pela residência, que é o grande formador de recursos humanos na área da medicina. Mas que sofreu historicamente com o baixo investimento e ausência de planejamento. Não se forma médicos por decreto. É preciso programas como o Pró-Residência para estimular a formação nessas áreas básicas”, acredita.
Fonte: Centro de Ciências Médicas - UFP
VOLTAR

PARTICIPE DE NOSSAS REDES