Superbactéria faz com que pacientes sejam isolados em hospitais de São Paulo


Após o aumento de casos da superbactéria KPC em São Paulo, os hospitais estão isolando os pacientes infectados e até mesmo pacientes que têm o micro-organismo sem apresentação de sintomas. Hospitais como Albert Einsteins, Oswaldo Cruz e Sírio-Libanês já tomaram a medida.

 

Ontem, a Secretaria Municipal de Saúde solicitou aos hospitais que surtos da bactéria superresistente aos antibióticos sejam notificados imediatamente ao núcleo de controle de infecção hospitalar. A secretaria também reforçou as medidas de prevenção para evitar a proliferação dos casos, não apenas da KPC, mas de outras bactérias superreristentes.

 

A Secretaria Estadual de Saúde informou que não há notificação de nenhum surto de Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC). A secretaria também desconhece casos isolados porque problema de ainda não ser de notificação compulsória.

 

A Anvisa deve tornar a notificação obrigatória a partir de sexta.

 

Desde o início do ano foram registrados ao menos 90 casos da KPC em dez hospitais públicos e privados de São Paulo, segundo apuração da Folha. Já no Distrito Federal a situação está ainda mais crítica, contabilizando 15 mortes e 135 casos da infecção confirmados.

 

>> ISOLAMENTO 

 

 

Todos os pacientes que estão internados há muito tempo (dentro e fora da UTI) ou que fazem o uso de diversos tipos de antibiótico devem fazer exames para detecção da KPC, mesmo sem nenhum sintoma da infecção. Caso a bactéria seja encontrada, o paciente será isolado em um quarto até que obtenha alta.

 

De acordo com o infectologista do Albert Einstein, Luiz Fernando Aranha Camargo, sem haver os sintomas, não há recomendação de tratamento com antibióticos, basta monitorar o paciente.

 

No Oswaldo Cruz, caso o paciente venha de outro hospital, será automaticamente isolado. “Ele entra em isolamento independentemente da condição de portar ou não a bactéria. Depois, a gente avalia a necessidade de manter o isolamento”, disse o infectologista Gilberto Turcatto.

 

Mesmo após a alta hospitalar, o paciente ficará “fichado”, pois caso volte a ser internado, ficará isolado até a comprovação da ausência da KPC em novos exames.

 

De acordo com Maria Beatriz Souza Dias, infectologista do Sírio-Libanês, além do isolamento, existe uma série de precauções adotadas, como exemplo de uma delas, a sinalização de quartos e objetos usados pelo paciente para evitar que os profissionais de saúde levem a bactéria para outros locais do hospital.

 

“Tem muito lugar que nem se sabe se a bactéria está circulando ou não”, disse o infectologista Artur Timerman, do Hospital Edmundo Vasconcelos. Para o infectologista, a maior preocupação está na grande maioria dos hospitais públicos que não possuem nem comissões de infecção estruturadas e nem laboratórios de microbiologia capazes de isolar a bactéria.

 

>> SUPERBACTÉRIA KPC – Os efeitos na população

 

O uso de antibióticos em seres humanos afeta a flora intestinal e aumenta o risco de contrair novas infecções.
O paciente que contrai uma bactéria que não responde ao antibiótico permanecerá mais tempo doente e elevará as chances de contaminação.


Infecções por bactérias resistentes aumentam o risco de hospitalização, sepse e morte.

 

 

Fonte: Folha Online

 

VOLTAR